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Terapia Ocupacional E Educação Em Saúde Na Escola: Atividades Socioculturais Na Prevenção Da Drogadição De Adolescentes
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Terapia Ocupacional E Educação Em Saúde Na Escola: Atividades Socioculturais Na Prevenção Da Drogadição De Adolescentes

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INTRODUÇÃO

O uso de substâncias psicoativas data de milênios atrás, não sendo um fenômeno exclusivo dos dias atuais, essa prática ao uso já existia anteriormente, e sua história vem sendo trilhada juntamente com a história da humanidade.

 

Percebe-se que o uso de drogas atinge boa parte da população brasileira de ambos os sexos, em todos os grupos raciais, socioeconômico, étnico e geográfico. Refere Pratta, SANTOS (2006), que o início ao uso de drogas ocorre em grande escala na adolescência, a qual é marco de inúmeras alterações físicas, psíquicas no sujeito. É nesta etapa que ocorre o surgimento do processo de desenvolvimento biopsicossocial do individuo. Diante das dimensões que ela se apresenta, considera-se um problema mundial de saúde pública.

 

A busca pelas drogas é diversa, não sendo uma causa isolada, englobam-se vários vértices, tais como amigos, família, comunidade. O meio juntamente com suas características individuais que o definirá.  Sendo determinada por motivações internas como externas.

 

Diante desta situação o âmbito escolar integra educação e saúde e deve ser entendida como áreas do conhecimento humano, que devem se integrar, para reforçar o exercício da cidadania. Para MAIA (2002), este âmbito consagra-se um dos responsáveis juntamente com a família, comunidade e meios de comunicação na capacitação de jovens estruturados e críticos sendo assim um campo adequado para ações preventivas.

 

Retrata SANTANDER (2003), essa prevenção se faz necessária a fim de educá-los para uma vida saudável e digna, proporcionando assim condições necessárias para que o possa reconhecer os riscos e evitar o convívio com as drogas.

 

A partir dessa problemática surgi-se à idéia de realizar um trabalho junto a essa clientela proporcionando conhecimento dos danos que o abuso das drogas pode trazer futuramente usando como instrumento atividades socioculturais. Além da experiência profissional da pesquisadora de dezoito meses de estágio em um centro de recuperação de drogadictos em uma instituição de Fortaleza que através dos relatos de dependentes químicos e familiares foi possível perceber a grande dificuldade que há para libertar-se das drogas e o quanto é falho a prevenção ao uso indevido da mesma.

 

Segundo HERMETO 2008, as atividades socioculturais terão como função auxiliar na atenção e organização do cotidiano podendo ser capazes de capacitar os adolescentes para a vida, configurando-se como uma rede de sustentação, para a construção da autonomia e da independência, promovendo a convivência e a contextualização do adolescente na cultura e sociedade.

 

Acredita-se que a relevância da pesquisa atinja a óptica da Terapia Ocupacional, da saúde mental, além de acrescentar à literatura maiores conhecimentos atingindo assim as demais áreas profissionais. Como também contribuindo de uma forma indireta a escola e a comunidade. Na tentativa de destinar foco maior para a prevenção as drogas ilícitas.

 

Para tanto a pesquisa realizada teve como objetivo geral compreender os possíveis benefícios do uso das atividades socioculturais no processo de prevenção ao uso de drogas ilícitas em adolescentes.

 

MÉTODOS

O método empregado para a realização da pesquisa foi de corte qualitativo, por não se basear em dados numéricos para garantir sua representatividade, bem como atuar em um nível de realidade que não pode ser quantificado. 

 Para MINAYO (1996, p.35):

O método utilizado foi de cunho qualitativo, que responde a questão muito particular, trabalhando com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde ao espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização das variáveis.

 

 

               A pesquisa realizada aconteceu no mês de março a maio de 2009, em uma (EEFM) Escola de Ensino Fundamental e Médio Cláudio Martins situado na zona leste de Fortaleza- Ceará- Brasil.

 

               Quanto a estrutura física da escola apresenta-se em boas condições para a prática de ensino. Estando disponível como recurso: biblioteca climatizada com acervo moderno; sala de vídeo; sala de computação; quadra de esportes, espaços esses utilizados para a realização das atividades socioculturais.

 

Para compreensão acerca do assunto utilizou-se o estudo do tipo pesquisa- ação que para TURATO (2003, p.89):

 É um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo e participativo.

 

Como critérios de inclusão foram selecionados 15 adolescentes de ambos os sexos; matriculados regularmente, cursando a 7° e 8° série do Ensino Fundamental no turno da manhã, entre 13 a 15 anos que nunca tenham vivenciado o uso de drogas ilícitas e que essencialmente desejem participar da pesquisa. Como critérios de exclusão serão adolescentes não matriculados na referida escola, cursando as demais séries, fora da faixa etária descrita acima, e que já tenha vivenciado o uso de drogas ilícitas.

 

A realização das atividades socioculturais teve duração de uma hora, aconteceram no mês de março a maio de 2009, uma vez por semana, totalizando dez encontros. Nos grupos foram realizadas atividades socioculturais como: dinâmicas, grupos educativos com recursos audiovisuais, grupos com computação, gincanas, dramatizações e sessões de vídeos.

 

Como instrumentos e procedimentos para a coleta de dados foram utilizados: questionários, observação participante e diário de campo, onde foram registrados os discursos dos sujeitos pesquisados, atitudes, comportamentos e interação durante o processo grupal, além da percepção da pesquisadora quanto ao desenvolvimento do processo terapêutico.

 

Segundo Oliveira (2007), o questionário tem como principal objetivo descrever as características de uma pessoa ou de determinados grupos sociais na obtenção de informações sobre sentimentos, crenças, expectativas, situações vivenciadas.

 

Para Turato (2003), a técnica observação participante é uma técnica mestra desenvolvida para coleta de dados nas pesquisas etnográficas, sendo também de grande utilidade em investigação sociológica e psicológica.

 

  De acordo com Victória et al (2000), o diário de campo nos serviu de base para anotações dos depoimentos durante o processo grupal das atividades socioculturais. Consiste em um instrumento básico de registro de dados do pesquisador que requer o envolvimento de pessoas na pesquisa.

 

A fim de atingir os objetivos propostos utilizamos como técnica de análise dos dados, a análise de discurso, que para Orlandi (2000), possibilita a compreensão de objetos simbólicos como produtores de sentidos analisando assim os próprios gestos de interpretação que a mesma considera como atos no domínio simbólico, pois estes atos intervêm no real do sentido.

 

Para garantir o anonimato dos participantes utilizamos nomes fictícios. Todos os integrantes do grupo foram informados sobre a pesquisa que estava sendo realizada, assim como do sigilo da sua identidade. Os procedimentos foram realizados após a aprovação do trabalho pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) no dia 27/08/2007, parecer n 194/2007 e CAAE: 2010.0.000.037-07 amparado na Resolução 196/96.

 

 

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÕES

          Após a aplicação do questionário com os adolescentes envolvidos com a pesquisa, surgiu à necessidade da construção de um quadro ilustrativo, objetivando uma melhor visualização com relação ao número de adolescentes envolvidos, gênero, o conhecimento com relação às drogas ilícitas, programa de prevenção na escola e reconhecimento ou não de pessoas que já fizeram uso de drogas.

 

Número de adolescentes envolvidos na pesquisa

15

Adolescentes Masculinos

09

Adolescentes Femininos

06

Adolescentes que sabem o que são drogas ilícitas

08

Adolescentes que não sabem o que são drogas ilícitas

07

Adolescentes que conhecem pessoas que já fizeram uso de drogas ilícitas

09

Adolescentes que não conhecem pessoas que já fizeram uso de drogas ilícitas.

06

Na escola não há programa de prevenção ao uso de drogas ilícitas.

13

Na escola há programa de prevenção ao uso de drogas ilícitas

02

                    

Os discursos expressos pelos adolescentes, durante as atividades socioculturais, foram agrupados, em duas categorias temáticas, antes da aplicação das atividades socioculturais desenvolvidas na escola: reconhecimento do termo drogas ilícitas pelos adolescentes e percepção dos adolescentes sobre o uso de drogas ilícitas.

Após a aplicação das atividades socioculturais no qual se realizou: dinâmicas, grupos educativos com recursos audiovisuais, grupos com computação, gincanas, sessões de vídeos. Surgiu uma categoria temática: As atividades socioculturais no processo de prevenção ao uso de drogas ilícitas na escola.

 

 

Categorias temáticas antes da aplicação das atividades socioculturais:

              

1- Reconhecimento do termo drogas ilícitas pelos adolescentes: no qual podemos aferir o nível de conhecimento dos adolescentes com relação às drogas ilícitas, atividades ilícitas.

 

1-      Reconhecimento do termo drogas ilícitas pelos adolescentes

 

Relata Cavalcante (1997) que as drogas ilícitas são toda e qualquer substância psicoativa que alteram o funcionamento do organismo do ser humano, sendo proibida por lei em determinados países, produzindo efeitos fisiológicos, psíquicos e comportamentais.

 

Sim, “drogas ilícitas são drogas que a pessoa usa e avissia e pode levar a morte e se envolver em crime e roubo” (Paulo)                                                            

Sim, “é uma droga muito séria, mexe com a família e que leva ao vicio, as drogas deixa as pessoas viajando pelo espaço.” (Maria)

 

               Evidenciamos, nos discursos de Paulo e Maria, que o uso persistente de drogas ilícitas, conduz a dependência e que muitas vezes, acarretam conseqüências em perdas familiares e sociais, chegando muitas vezes ao envolvimento em atividades ilegais, que vêem como forma de suprir o vício.

              

               Quando nos reportamos à leitura de Cavalcante (1997), o uso ocasional, habitual e persistente dessas drogas é nocivo ao ser humano, podendo gerar como conseqüências a dependência, a qual se define na relação em que o usuário estabelece com a droga tornando seu uso um hábito impossível de romper sem sofrimento. Com estes fatores estabelecidos, perde-se a importância da relação familiar e social, associando-se à violência e à criminalidade, em que a relação entre droga, doença, violência e exclusão social fortalece o mundo do crime.

 

               Para Hermeto (2008, p.13):

Atualmente as atividades ilegais somam-se ao consumo e ao tráfico de drogas que estão tomando proporções exorbitantes, mundialmente, pela extensão de seu uso, pela natureza das novas drogas, bem como pelos impactos sociais (sociológicos, econômicos, políticos) e sanitários (doenças diretas, doenças indiretas, tratamento e custos), sendo denominado um problema de saúde pública.

                  

   A problemática do uso e do abuso das drogas ilícitas, na atualidade, representa um problema de preocupação universal, pois seu consumo continua alastrando-se rapidamente, atingindo, em especial, os jovens. Como é um fenômeno de grande complexidade, suas raízes encontram-se na intricada relação de aspectos econômicos, sociais, culturais e filosóficos que representam a própria existência da humanidade.

 

Sim, “são aquelas drogas que não são legalizadas, deixa as pessoas em vício constante, não podem ser vendida e quando a pessoa é pegue vendendo drogas pode ser preso” (Fernanda)

Sim, “a droga que é proibida a usar, as pessoas que usam pode chegar a roubar, sofre humilhação e deixar de ser aceito em casa e na rua pelos amigos bons ”(Roberto)

 

               O que se depreende dos discursos, de Fernanda e Roberto, é que as drogas ilícitas são consideradas ilegais, proibidas por lei. O uso delas pode gerar comprometimento maior a nível comportamental levando a desvio de conduta, muitas vezes levando a atividades ilícitas, surgindo muitas vezes essas atividades ilícitas como necessidade de suprir o vício.

 

As drogas ilícitas são caracterizadas substâncias proibidas de serem produzidas, comercializadas de uso proibido por lei em nosso país. Segundo Zaluar (2004), o consumo das drogas ilícitas passa a ser a forma mais privilegiada para outro mundo, um mundo onde o indivíduo é aceito na marginalidade passando a assumir importante papel nesse contexto socialmente distorcido de sua realidade social e familiar, ao contrário do que ele não soube abstrair de uma sociedade saudável, partindo assim para a superação das fronteiras de um cotidiano que não o satisfaz. Nesse momento, faz-se pertencer a uma camada social marginalizada dentro dos padrões preconizados pela sociedade atual.

 

2-       Percepção dos adolescentes sobre o uso de drogas ilícitas

 

A compreensão sobre a utilização das drogas ilícitas não se restringe a procurar culpados e sim a buscar incessantemente suportes educacionais, familiares, políticos, científicos e sanitários, que objetivem a diminuição da demanda e da oferta. Nesse momento, faz-se necessário todo o arsenal de teorias, procedimentos e técnicas, compreensivas, fenomenológicas ou dialéticas, que possam dar conta da realidade em metamorfose e movimento da dependência química na atualidade brasileira.

 

“Elas não são boas, pois elas matam. O meu vizinho morreu assim, o povo da rua disse que ele cheirou tanto que morreu” (Renato)

“Ela faz muito mal a pessoa, na saúde também, se o cigarro mata, imagine, essas drogas pesadas.”(Sérgio)

 

Quando nos reportamos aos discursos de Renato e Sérgio percebe-se que o uso de drogas ilícitas, deixa seqüelas irreparáveis muitas vezes chegando até a morte pelo uso prolongado dessas substancias agravos a saúde que as drogas proporcionam no sujeito, podendo gerar situações irreversíveis, como a morte.

 

               Define Silber e Souza (1998) que clinicamente temos como sinais e sintomas diante do abuso de drogas: hematomas e lesões cutâneas (agulhas endovenosas); hipertensão arterial, taquicardia; dor abdominal, perda de peso, anorexia, náuseas e vômitos; debilidade, hipotonia, transtorno do sono; perda de memória, déficit atencional, irritabilidade, tremores; desorientação, confusão mental, perda do bom senso, alucinação, depressão, tentativa de suicídio; infecção com HIV ou hepatite-B por agulhas contaminadas ou atividade sexual; bronquite recorrente, tosse crônica, sinusite, halitose.

 

“As drogas ilícitas são nojenta usada para as pessoas que não pensam no hoje, que não pensam no futuro e muitas vezes perdem a adolescência.” (Rafaela)

“Eu acho que ela faz mal, mais mesmo assim a adolescência as pessoas fiam mais frágeis, as pessoas usam, da minha idade” (Érica)

 

               O que se depreende dos discursos de Rafaela e Érica, que hoje as drogas são utilizadas por pessoas que muitas vezes não valorizam a vida, vivendo apenas o momento sem a preocupação com o futuro, percebe-se que a adolescência é um período de transição, no qual podemos contextualizar a adolescência como um dos períodos mais importantes do desenvolvimento humano, em razão de várias transformações biopsicossociais.

 

               Conforme Hermeto (2008 p.38):

 O adolescente busca nas drogas uma independência do mundo externo, procura as drogas ilícitas a fim de encontrar prazer imediato, pois, com o auxílio dessas substâncias, é possível em qualquer ocasião afastar-se da pressão da realidade e encontrar refúgio num mundo próprio, com melhores condições de sensibilidade.

 

                    Para Pratta e Santos (2006) a adolescência é definida como uma fase em que a criança se transforma em adulto delimita o potencial de crescimento psicológico do indivíduo. Além dessa mudança, um marco familiar também se desenvolve, caracterizando um período de risco em que podem ocorrer alterações da personalidade.

 

“Eu acho que as pessoas não devem usar essas drogas, me ofereceram, mais eu não quis, minha mãe tem medo as vezes diz para eu não usar” (Karol)

“Se eu quisesse eu usava, porque lá perto de casa, vende, meus pais sempre falam que não é para usar.  Mais Deus me livre, faz mal. ” (Neto)

 

   Nos discursos de Karol e Neto detêm- se a facilidade do acesso as drogas no convívio desses jovens, sejam elas nas proximidades de seu bairro, escolas, academias, locais de divertimentos. As famílias por sua vez temem pelos seus membros serem susceptíveis a este meio.

  

   Para Hermeto (2008), a dimensão que atinge hoje o fenômeno do consumo de drogas nos grandes centros urbanos brasileiros traz para dentro das famílias o medo, a insegurança e a sensação de impotência diante da possibilidade de seus jovens utilizarem determinadas substâncias. 

 

   O primeiro contato com as drogas dá-se muitas vezes de forma ocasional, em festa, reuniões de pequenos grupos ou individualmente. É esse primeiro contato que definirá o desejo de repeti-la ou não.

 

   Segundo Martins e Pillon (2008), é essencial para o adolescente estabelecer contatos com novos amigos e formar seu grupo de identificação, que influencia suas idéias e opiniões, passando há permanecer mais tempo com o grupo fora de casa do que com os pais em casa, diferentemente do que ocorre na infância ou na pré-adolescência. Esse relacionamento com o grupo pode conduzir a comportamentos inadequados como uso de drogas e a delinqüência, que se tornam normais em grupos da mesma faixa etária durante esse período.

 

A interpretação dos discursos dos adolescentes após a vinculação e aplicação das atividades socioculturais, tais como: Dinâmicas, grupos educativos e audiovisuais, grupo com computação, gincanas, sessões de vídeos, debates que permitiu a criação de uma categoria temática: As atividades socioculturais no processo de prevenção ao uso de drogas ilícitas na escola:

 

 

 

 

Categorias temáticas após a aplicação das atividades socioculturais:

 

1-As atividades socioculturais no processo de prevenção ao uso de drogas ilícitas na escola:

                 

 

Sempre dispostos em subgrupo a fim de despertar espírito de solidariedade, respeito para com o outro, socialização, aprender a escutar o próximo, aprendizado, tolerância. Assim como atividades individualizadas a fim de saber de cada um seu ponto de vista, se houve assimilação adequada do que foi proposto.

 

   Seguindo um roteiro focado na conceituação da nomenclatura – drogas ilícitas, classificação das drogas, os efeitos biopsicossociais- malefícios. Foram realizadas atividades com grupos educativos, debates, dramatizações, confecção de cartazes. Diante das atividades foi possível coletar alguns discursos frente ao assunto abordado, com o foco na captação das informações certificando-se assim a importância deste projeto.

              

“Os grupo de debates, foi o melhor, porque ajudou a entender melhor os pensamentos das outras pessoas, a atitude de cada um, e somar com o meu pensamento [...] como as pessoas que usam drogas não tem vida, eles com certeza não tiveram esse momento aqui[...]” (KAROL)

      

 “[...] Legal mesmo foi o vídeo, era bem rapidinho,mas ai depois agente  conversava tanto sobre o que a gente via [...]” (NETO)

 

               Diante dos discursos de Karol e Neto, inseridos na atividade grupal, usando como recurso o debate no qual favoreceu a interação mostrando a importância da pesquisa em estimular a compreensão a respeito do assunto abordado. Neste âmbito foi facilitado o surgimento de um ambiente social que permitiu a potencialização das características pessoais e a sensibilidade a seus agravos a sua saúde.

 

               Refere Moura, Ribas (2000), que o aprendizado possibilita a formulação dos processos de comunicação, expressão de conflitos internos do indivíduo favorecendo o desenvolvimento do mesmo, tendo relação com o ambiente sociocultural que interage entre si.

 

“[...] eu sou vou usar se eu quiser...se eu sei mal que faz eu não vou querer...o “amigo” diz assim...mã e a consideração aqui com o cara...não existe isso não eu tenho que pensar é na minha vida, quem vai morrer sou eu[...]com o teatro em fiquei mais ligado com esses “amigos”[...] ” (ÉRICA)

“[...] é muito ruim, sair e ve amigos meu, usando essas coisas, já me ofereceram cigarro, mas quis nao [...]aqui na escola so tem a fisica, pra gente extravasar ai a tia veio com o teatro, e com isso aprende que a droga não é legal.” (RAFAELA)

 

               Diante do relato de Érica e Rafaela, percebe-se que, a adolescência é um período marcado de forte necessidade de auto-afirmação necessitando de status diante de um grupo social o qual pertence, podendo assim na ausência de senso crítico sofrer pressão deste grupo que quando cedida pode gerar graves danos biopsicosociais para toda a vida.

 

               Segundo Boal (1990), a utilização da dramatização busca em prevenção em saúde dos adolescentes interpretarem e criarem personagens, utilizando seu próprio corpo como meio de expressão. Ela permite que o individuo apropriando-se de uma linguagem corporal possa transmitir para o seu meio e recriá-la.

 

“Me faz abrir meus olhos. Nos  vídeos, foi o que mais gostei, me chamou atenção a vida de uma menina bem novinha quase morreu[...]se eu escolher usar as drogas eu não vou ter uma vida boa, porque a droga acaba com a vida [...]” (MARIA)

“[...] ora a professora botou um video, é diferente o geito que ela ensina, foi ai que eu soube o atraso na vida da pessoa que usa drogas[...]” (FERNANDO)

 

Como percebemos a partir do discurso de Maria e Fernando, a utilização dos vídeos teve impacto de uma forma positiva. Com o relato ocorrido nos vídeos proporcionou discussão entre os adolescentes em relação ao uso indevido de drogas e as conseqüências que ocorre num ambiente comunitário sofrendo relações intersubjetivas.

 

Segundo Hermeto (2008), as atividades socioculturais assumem posição de destaque na abordagem com o adolescente na prevenção ao uso de drogas ilícitas, em que a comunidade, sujeitos, relações intersubjetivas e o grupo no qual estão inseridos colocam-se à disposição para a construção, abrindo espaço para o social.

 

“Atividade legal foi saber o mundo de coisas que a gente tem pra descubri na net, a tia mostrou o mal das drogas, eu fiquei pra falar da maconha[...]” (PAULO)

 

“ [...] agente pesquisou na net sobre drogas, eu usava a net pra outras coisas, vi um monte de coisa sobre isso e ainda mais que é na minha idéia que a pessoa começa a usar[...] ” (SÉRGIO)

 

    De acordo com o discurso de Paulo e Sérgio mostrou-se a acessibilidade entre os meios de comunicações e a literatura das drogas. Com a facilidade do acesso dos meios comunicativos, a partir da facilitação deste grupo torna-se fácil a capacitação de conhecimentos, aliados a diversidade de informações. Com tudo isso, torna-se possível a absorção, diversificação logo discussão sobre os assuntos abordados na pesquisa. Promovendo uma formação de idéias tornando-os multiplicadores dos conhecimentos adquiridos vivenciados nesta pesquisa.

 

  1.                Segundo Costa e Lyra (2002) compreendem a realização de atividades socioculturais como sendo o processo pelo qual o adolescente adquire informações, habilidades, atitudes e valores, a partir de seu contato com a realidade, o meio ambiente e as outras pessoas. Pela ênfase dada aos processos sócio-históricos, na teoria vygotskyana, a idéia de aprendizagem inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos.    

 

“[...] eu pensei que estudar sobre drogas ia ser xatu, mais ai... a professora aqui é diferente da sala, ela faz agente aprender se divertindo, teve filme, bexiga, era dinâmica[...]” (ÉRICA)

 

“[...] Para mim ajudou muito a descobri as coisas ruin das drogas, sem falar que agente aprendeu brincando, nas dinâmicas, gincana. [...]Agora que eu sei sobre o mal que a droga faz, eu tenho é que ficar  longe, foi com as atividades aqui, que eu vi[...]” (RICARDO)

 

               A partir do relato de Ricardo visualizou-se a relevância em que as atividades ocorridas na pesquisa tiveram extrema eficiência sendo executadas de uma forma lúdica aferindo a real essência da problemática das drogas ilícitas. Isso foi possível diante de uma abordagem sociocultural.

 

               Refere Costa e Lyra (2002), que esta abordagem focaliza nas atividades socioculturais uma unidade de análise. E esta unidade inclui os sujeitos, as relações intersubjetivas e a comunidade/instituição na qual estas atividades têm lugar, compondo três elementos intrinsecamente relacionados, impossíveis de se compreender separadamente.

 

    Esta abordagem diferencia-se radicalmente da abordagem da influência cultural, em que a unidade de análise recai sobre o sujeito, muito embora considere que este sujeito esteja aberto ao meio ambiente, recebendo deste o alimento para se desenvolver. O sujeito não vem primeiro, tampouco as relações sociais e a cultura.

 

  Essa construção ocorrerá junto com o sujeito, comunidades e as atividades socioculturais, que irá explorar a natureza de seus interesses, necessidades, capacidades, acrescentando atitudes sociais e interpessoais, necessário para integração do meio social.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

               Atualmente os adolescentes encontram-se em um momento de vulnerabilidade a entrada no mundo das drogas e da criminalidade, por encontra-se em sempre estado de transformação, diante dessas transformações, o adolescente sente-se muitas vezes fragilizado ante determinadas situações, como: mudanças de fase de vida, dificuldade de enfrentar a realidade, dificuldade em aceitar regras e padrões impostos pela sociedade. Nesse momento, se não existir um suporte familiar, escolar estruturado, o adolescente poderá buscar nas drogas uma resposta para a solução de seus problemas.

É preciso compreender que a adolescência é um período de questionamento e de reformulações, mas para se entender o significado real dessa fase, é preciso conhecer o contexto que está sendo vivenciado, que pode apresentar diferentes expressões, de acordo com as pressões e influências do meio social. O adolescente questiona a vida familiar, os conceitos tradicionalmente aceitos as regras, e os padrões preestabelecidos pela sociedade, que são essencialmente curiosos. Por essa razão, eles são os que mais experimentam drogas e se tornam susceptíveis a se tornarem dependentes. Na chamada crise da adolescência, suportada pelos pais e pouco entendida por muitos, o jovem inicia o reconhecimento de si mesmo, a busca de sua identidade. 

 

               Por intermédio dos relatos dos adolescentes envolvidos na pesquisa, observou-se a relevância que as atividades socioculturais realizadas na escola pública evidenciaram aos adolescentes a compreensão quanto ao uso e abuso das drogas ilícitas como algo desfavorável e com conseqüências destruidoras na estrutura social, familiar e cultural. 

 

               A inserção dos adolescentes nas atividades socioculturais no âmbito escolar foi importante na aquisição dos conhecimentos sobre o tema escolhido, a praticidade que elas proporcionaram na assimilação de seu conteúdo para a clientela determinada, e na tentativa de gerar impacto frente às proporções epidêmicas e geradas pela dependência das drogas ilícitas.

                Durante este período em que foram realizadas as atividades socioculturais pudemos constatar e observar os benefícios das atividades socioculturais como propiciador dos conhecimentos e esclarecimentos sobre o uso e abuso de drogas ilícitas, no qual os adolescentes conseguiram captar a real necessidade de compreender a essência da problemática a cerca das drogas ilícitas.

A inclusão dos adolescentes nas atividades socioculturais proporcionadas na escola permitiu a inclusão em um novo ambiente, um ambiente onde os adolescentes puderam vivenciar novas situações com relação ao uso e abuso das drogas ilícitas, compartilharem saberes permitindo assim moldura para ensaio de novos papéis e de nova sociabilidade, vistos como possíveis. Ser/viver de outro modo é possível.. As trocas passam a ocorrer como crescimento mútuo,. As responsabilidades da vida adulta começam a emergir, com possibilidades concretas de alcance, a partir de novos aprendizados.

 

               As participações dos mesmos proporcionaram um momento além de educativo, bastante lúdico e expressivo o qual foram capazes de propiciar conhecimentos e novos aprendizados para os alunos envolvidos na pesquisa.

 

               Em decorrência faz- se necessário oportunizar a atuação do terapeuta ocupacional na prevenção ao uso de drogas ilícitas como medida preventiva aos agravos que possa vir a acometer a adolescência no âmbito familiar e social assim como para os demais ciclos de vida. Tendo como local para favorecer esta prática o ambiente escolar e/ou comunitário, buscando atingir não apenas os jovens, como educadores e familiares. E diante da contribuição deste profissional frente à aplicação das atividades socioculturais.

 

REFERÊNCIAS

 

 

 

  1. BOAL, A.O arco-íris do desejo: método Boal de teatro e terapia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1990.

 

  1. CAVALCANTE, A.M. Drogas esse barato sai caro: os caminhos da prevenção. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997;

 

  1. COSTA, E. V.; LYRA, M. A. C. D. P. Como a mente se torna social para Bárbara Rogoff? A questão da centralidade do sujeito. Revista Psicologia e reflexão Social, Porto Alegre, v. 15, n. 3, 2002;

 

  1. HERMETO, E,M,C. O abandono do uso de drogas ilícitas por adolescentes: o papel das atividades socioculturais. Dissertação de Mestrado realizada na Universidade Estadual do Ceará(UECE).  Fortaleza: Ce, 2008.

 

  1. Fortaleza: CE, 2002.

 

  1. MARTINS, M.C.; PILLON,S.C. A relação entre a iniciação do uso de drogas e o primeiro ato infracional entre os adolescentes em conflito com a lei. Caderno de Saúde Pública. Vol. 24,n°05, Rio de Janeiro, 2008.

 

  1. MINAYO, M. C. S. (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: RJ: Vozes, 1996.

 

  1. MOURA, M. L. S.; RIBAS, A. F. P. Desenvolvimento e contexto sociocultural: a gênese da atividade mediada nas interações mãe-bebê. Revista Psicologia: reflexão e crítica, Porto Alegre, v. 13, n. 2, 2000.

 

  1. OLIVEIRA, M.M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

  

10. ORLANDI, E. P. Análise de discurso, princípios e procedimentos. 2. Ed. Campinas: Pontes, 2000, p.15.

 

11. PRATTA, E.M. M; SANTOS, M.A. Levantamento dos motivos e dos responsáveis pelo primeiro contato de adolescentes do ensino médio com substâncias psicoativas. Rev. Eletrônica Saúde Mental Álcool e Drogas, v.2, n°2, 2006.

12.  SILBER,T.J.; SOUZA,R.P. Uso e abuso de drogas na adolescência:o que se deve saber e o que se pode fazer. Adolescência Latinoamaricana. v.1 n.3 Porto Alegre out./dez, 1998.

 

13. TAVARES, B.F.; BÉRIA, J.U.; LIMA, M.S. Fatores associados ao uso de drogas entre adolescentes escolares. Revista de Saúde Pública, v. 38, n° 6, Dez-2004.

 

14. TURATO, R.E. Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: Construção teórico-epistemiológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

15. VICTÓRIA, G. E, KNAUTH, R.D, HASSEN,A.N.M. Pesquisa Qualitativa em saúde: uma introdução ao tema. Porto Alegre: Tomo 2000.

 

16. ZALUAR, A. Integração perversa: pobreza e tráfico de drogas Rio de Janeiro: FGV, 2004.

 

                      

 

Edyr Marcelo Costa Hermeto

Edyr Marcelo Costa é Terapeuta Ocupacional, mestre em Saúde Pública pela Universidade Estadual do Ceará(UECE).

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