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O Sexo Dos Anjos: Arte Não É Pedofilia
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O Sexo Dos Anjos: Arte Não É Pedofilia

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A vida moral do homem faz parte do assunto
do artista, mas a moralidade da arte consiste
no uso perfeito dum meio imperfeito
(Oscar Wilde).

Seguindo a idéia do artigo "os abutres de Carter [1]", onde falo sobre a ética na fotografia, dessa vez remexo em um tema semelhante e que dia-sim-dia-não figura nos noticiário do mundo inteiro: a sexualização infantil. Nesses tempos do politicamente correto, toda forma de arte vem sofrendo uma espécie de censura ideológica por determinada parte da sociedade que tende a definir o que é ou não moral, principalmente quando o foco do assunto são crianças e adolescentes.

A palavra da moda, quase sempre empregada erroneamente, é a so called pedofilia. Se o seu trabalho envolveu crianças e não for um comercial da Parmalat, grandes serão as chances de alguém tentar enxergar nele alguma conotação pedofílica, mesmo que não façam idéia a que realmente o termo se refere. Portanto, é necessário que entendamos e coloquemos cada coisa em seu respectivo lugar, para que possamos criar um senso crítico capaz – ou não – de responder nossos próprios dilemas.


Pedofilia não é verborragia

Pra início de conversa, vamos definir bem o que é e o que não é pedofilia.  Segundo o Manual de Medicina Legal [2] de Delton Croce, trata-se de uma parafilia “caracterizada pela atração por crianças ou adolescentes sexualmente imaturos, com os quais os portadores dão vazão ao erotismo pela prática de obscenidades ou de atos libidinosos”. Ou seja, um pedófilo é necessariamente um doente mental que só consegue (ou tem maior inclinação) atingir o prazer sexual através de contato, seja ele físico ou visual, com crianças ou adolescentes, em quase sua totalidade de idade igual ou inferior a 14 anos.

É importante ressaltar que não existe um crime que atende pelo nome de pedofilia. Muito se confunde esse termo, que é uma doença, com crimes contra menores, como estupro, atentado violento ao pudor e pornografia infantil. Estes crimes, em sua maioria, são praticados por pessoas com outros tipos de desvios comportamentais, portanto é incorreto usar a palavra pedofilia para se reportar a qualquer tipo de exploração sexual de menores.


A arte imita a vida

“Que maravilhosas aventuras eu fantasiava, sentado no duro banco de uma pracinha, enquanto fingia estar imerso na leitura de um trêmulo livro. As ninfetas brincavam despreocupadas em torno do plácido intelectual, como se ele fosse uma estátua bem conhecida ou uma mera extensão da sombra rendada de alguma velha árvore”.

Com essa declaração, o personagem Humbert Humbert, do livro Lolita [3], de Vladimir Nabokov, introduz alguns de seus pensamentos libidinosos descrevendo com detalhes os corpos das crianças que ele desejava em silêncio.

Lolita, de Stanly Kubrick

Os alvos de seus anseios sempre eram crianças abaixo dos 13 anos, pois segundo o próprio, perdiam o encanto quando começavam a se transformar em mulheres, sintomas clássicos de um pedófilo. A forma pormenorizada como o personagem descreve “os braços nus e esguios” de uma menina que andava de patins, ou de como a imagem de uma “ruiva penugem axilar” de outra menina no metrô lhe tirou o sono durante dias, nos mostra uma personalidade doentia e muitas vezes debochada, embora Humbert declarasse abertamente que sabia muito bem dos perigos que corria se tentasse dar vazão a seus instintos. Esse livro causou uma estrondosa polêmica à época de seu lançamento e acabou dando origem às expressões “Lolita” (diminutivo de Dolores, protagonista do livro) e “ninfeta” (diminutivo de ninfa) usadas como conotação a jovens sexualmente atraentes.

Saindo da ficção para o mundo real, muito se especula sobre a vida de Lewis Carroll [4], autor do clássico “Alice do país das Maravilhas”. Solteiro e presumidamente apaixonado por crianças, suas excentricidades incluíam pedir às suas “amiguinhas[5]” – era assim que as chamava – cachinhos de cabelos para beijar, cartas de cunho duvidoso e fotos de intenções duvidosas. A sua maior paixão foi Alice Liddell[6], uma menina de sete anos que mantinha uma amizade um tanto suspeita com o escritor. Foi ela a inspiração para todos os contos que levaram seu nome.

Alice Liddell

A verdade sobre Carroll ainda é um mistério. Apesar de muitos ensaios tentarem provar que realmente se tratava de um pedófilo ( um deles, inclusive, sugerindo que ele sofria de um Édipo [7] mal resolvido) nada se pôde comprovar sobre o escritor. Porém, a dúvida sobre sua paixão por crianças continua a assombrar seu nome.


Polêmicas

A edição de dezembro de 2007 da “T Magazine[8]”, suplemento de moda estilo do New York [9] Times causou uma verdadeira guerra interna no jornal por conter fotos da modelo Ali Michael, de 17 anos, semi-nua, usando apenas um casaco enrolado na cintura. De um lado estava o ombudsman do jornal, Clark Hoyt, defendendo a moral e os leitores que ficaram escandalizados com as imagens, de outro, estava o diretor da revista, Gerald Marzorati, a favor da expressão artística.  Para Hoyt, o que conta não é o mérito artístico das fotos, mas sim se é apropriado para um jornal como o New York Times mostrar uma adolescente daquela forma. Mazorati, em um memorando indignado, rebate dizendo que “os defensores da moral são os mesmos que há cem anos teriam desmaiado diante de um nu de Renoir”.

Ali Michael

Muitos alegam que a pornografia infantil está nos olhos de quem vê, e que um simples trabalho da Anne Geddes [10] pode ser interpretado de uma forma errada por alguma pessoa desprovida de bom senso. Porém, em tempos onde os crimes sexuais contra menores estão cada vez mais frequentes, há de se convir que o andor tem que ir mais devagar. A linha que vai dividir o próprio do impróprio é tênue e daí que surgem todas as polêmicas. Trabalhos que tendem ao limiar frequentemente são questionados pela inquisição popular, irrelevando os valores morais alheios. Fotografias como as de Jock Struges[11], David Hamilton[12] ou Irina Ionesco[13] com certeza seriam alvos de polêmicas muito maiores se fossem feitos recentemente. O que dizer então do filme Pretty Baby[14], de Louis Malle, que mostra a até então adolescente de 12 anos Brooke Shields completamente nua em cenas pra lá de sensuais?

Pretty baby

O Brasil também foi manchete dos jornais internacionais graças ao livro Anjos Proibidos, de Fábio Cabral[15]. O trabalho, lançado em 1991, era uma compilação de fotos de 25 adolescentes em cenas sensuais, e rendeu ao autor uma denúncia por parte do ministério público, alegando que a publicação explorava indevidamente o corpo das jovens meninas. Fabio conseguiu provar na justiça que se tratava de uma obra de arte, sendo absolvido dois anos depois, porém o livro teve sua circulação suspensa.
Casos semelhantes, mas que nem de longe fizeram tanto alarde, foram os ensaios de Luciana Vendramini e Verônica Rodrigues – até então com 16 e 15 anos respectivamente - para a revista Playboy e o comentado, mas relevado, filme de Alberto Savá “ A menina do lado[16]”, onde Flávia Monteiro aos 14 anos protagonizava cenas de sexo com Reginaldo Faria, 35 anos mais velho que a atriz. O curioso é que tudo isso foi apenas quatro anos antes do lançamento de Anjos Proibidos.

Anjos proibidos

Algumas coisas para se pensar

A questão que proponho aqui para reflexão se apresenta da seguinte forma: quais são os limites entre arte e moralidade? Os cânones morais variam de acordo com o desenvolver de cada cultura, e da mesma forma que o que ontem era absurdo e hoje é trivial, certas coisas que nos pareciam normais antes, hoje são exorcisadas por um moralismo muitas vezes hipócrita.  Independente de cada convicção, é notório que a ignorância – ou em muitos casos a burrice – de algumas pessoas tende a embarreirar qualquer discussão de idéias, principalmente se forem complexas demais para se ter uma resposta imediata.

Por outro lado, temos também que perceber que fazer arte com crianças, principalmente as de apelo sensual, é uma coisa muito delicada. Não sabemos a exata influência que esse tipo de trabalho pode causar a curto ou longo prazo em um ser humano que ainda não tem o seu juízo crítico bem estabelecido. Até onde as crianças têm a capacidade de decidir sobre seu futuro e qual o direito que os pais têm de influenciar uma decisão?

De fato nunca vai haver um consenso sobre este assunto pois trata-se de uma avaliação unicamente pessoal. Cabe a você digerir todas essas informações e criar a sua própria opinião. Qual é a sua? A minha, honestamente, ainda não encontrei.


* * *

Para saber mais:

[1] http://aguarras.com.br/2009/02/07/os-abutres-de-carter/
[2] http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=8502045989&sid=01511363111317535418428181
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Lolita
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Lewis_Carroll
[5] http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=84247&sid=01511363111317535418428181&k5=3A32AA45&uid=
[6] http://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_Liddell
[7] http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_Édipo
[8] http://www.nytimes.com/indexes/2009/03/08/style/t/index.html
[9] http://www.nytimes.com/
[10] http://www.annegeddes.com/
[11] http://photography-now.net/jock_sturges/portfolio1.html
[12] http://www.proza.com.ua/visions/fei_ne_snimajutsja_v_porno.shtml
[13] http://www.artpages.org.ua/index.php?option=com_datsogallery&Itemid=104&func=viewcategory&catid=52
[14] http://pt.wikipedia.org/wiki/Menina_bonita
[15] http://www.fabiocabral.com.br/
[16] http://pt.wikipedia.org/wiki/A_menina_do_lado

Rafael Frota

Artista plástico formado pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Atua na área de artes plásticas, gráficas e design de interface, além de fazer parte do grupo de colaboradores do portal www.aguarras.com, especializado em crítica de arte.
Mais Informações
www.rafaelfrota.com
www.rafaelfrota.blogspot.com
www.aguarras.com.br

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1. ronaldoalvespereira (12:18, 14.09.2009)
mande as suas fotos por favor nesse...
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2. leonardojosetorres (00:00, 27.08.2009)
eu quero ver mininas de12 anos nuas pra mostra entre no meu imeio que taai em sima

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