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Gurus Roubam Identidade?
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Gurus Roubam Identidade?

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     Gurus estão na moda no universo profissional, mesmo que o adepto esteja bem no trabalho, mas sente que precisa de algo mais para crescer que não consegue achar em si próprio. É a senha para que entre em cena o guru. E não é só aquele que ministra palestras motivacionais, mas o que está ali do lado no ambiente de trabalho mesmo. É que no fundo, precisamos de referências para saber por onde seguir e buscamos isso nos outros. Às vezes nem conhecemos pessoalmente alguém, mas gostamos dessa ou daquela característica da pessoa. Podemos discordar dela em alguns pontos ou mesmo acreditar em tudo que diz, mas é quem nos passa a sensação de "um dia quero ser tão bom quanto ele"... Pronto, criamos o nosso guru, que pode ser para o campo pessoal, profissional ou religioso.

      Alcançando o que pretendemos com determinado modelo, temos a sensação de estar no caminho certo. Porém, corremos o risco de iniciar o círculo vicioso de mal superarmos um mestre já nos submetermos a outro. Deixamo-nos convencer ao  extremo por idéias que não são nossas, embora pareçam sob medida para resolver um problema imediato que temos. Sem maiores reflexões se aquele princípio é viável de acordo com nossas crenças ou nosso modo de vida, somos sobre certos aspectos inexperientes ou estamos sob cochilo mental ao adotar a primeira idéia que vislumbramos genial. Apressadamente permitimos o roubo de nossas idéias, o que não quer dizer que sejamos tolos, mal intencionados ou que isto ocorra com quem é jovem. Acontece com qualquer um e independe do grau de instrução ou mesmo das boas intenções.

     No auge das nossas carências não fugimos do incomum e o impulso fala mais forte, não nos deixando perceber a intenção dos outros, permitindo que nos subtraiam o que nos é significativo, nosso tesouro interno, enfraquecendo nosso sentido de identidade. Pode ser uma interferência ou interrupção de algo que nos é vital, como esperança, crença na bondade e vem de onde menos esperamos.  O entusiasmo ofusca uma leitura mais racional do cenário. O afã de ter encontrado um caminho, dá lugar para a ingenuidade, a percepção falha quanto às motivações dos outros e nos torna inexperientes em projetar o futuro, perceber todas as pistas do ambiente, já que o destino nos proporciona lições ocultas não perceptíveis numa análise superficial.

     Aqueles a quem seguimos podem não ter completado o seu processo de aprendizado. Muitas vezes, ditos gurus, ao propagar suas idéias, estão em processo de convencimento, não estando maduros o suficiente para saber como prosseguir. Se sua iniciação no assunto está incompleta, vão nos omitir aspectos importantes do processo causando estragos em seus adeptos porque no fundo trata-se de uma idéia já inicialmente fragmentada e por isso contaminada de uma forma ou de outra.

No outro extremo, quem passou pela experiência do roubo de idéias, luta por ter maior domínio da situação, mas desnorteou-se e ignorando outros aspectos a serem praticados para completar o aprendizado, voltam ao primeiro estágio, o de ser submetido ao roubo, repetidas vezes.  A  certeza de nossos valores  pode ser a forma de nos mantermos inteiros, sem se fechar para o conhecimento. Quem ensina ainda não sabe tudo. Substituir nosso conhecimento pelo de outrem tem um custo para nós. Não é o que perdemos, mas é um cheque a descoberto, que contaminou nossas crenças e não depositou nenhuma certeza em troca.

Porém, se fazemos do aprendizado um referencial que não descartamos. Apenas acumulamos, agradecemos os ensinamentos, mesmo que seja só pelo exemplo dado.

 

 

Rackel F F Tambara

Cronista dos jornais "ATOS E FATOS" no noroeste do Rio Grande do Sul, há 11 anos; e "CAPITAL DAS PRAIAS"No litoral norte do Rio Grande do Sul, há 6 anos. Poeta com livro publicado "INTERVALO". Possui contos ainda não publicados e um romance em gestação. Visitem meu blog: http://verboesubstantivo.blogspot.com/

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