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Consciência Do Excremento (Produzido Em 03/2003)
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Consciência Do Excremento (Produzido Em 03/2003)

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Consciência é a maneira própria do ser conhecer sua arte. Nascemos excretores. Somos seres consumidores e nessa condição, excretores de resíduos. Aquele que nada consome nada excreta. Quando nos organizamos em sociedade, e dizem por aí que só assim sobrevivemos, passamos a nos preocupar com os excrementos dos outros. Num primeiro estágio de consciência passamos a melhor observar os excrementos sólidos, líquidos e gasosos, quase sempre fétidos, produzidos pelos concorrentes em consumo de proteínas. Há  alguns poucos milhares de anos, nossos antepassados incomodavam-se e muito com a  acumulação de tais rejeitos biológicos no ambiente restrito das cavernas. Naturalmente os rejeitos biológicos de uma espécie podem ser a matriz energética de outras. A interdependência energética entre populações não foi observada com a intenção de proposição de uma solução não residual, pois como exemplo, temos hodiernamente a Bolsa de Resíduos (Determinada pela Política Nacional de Meio Ambiente, a cargo do Órgão Ambiental Estadual. Consiste na administração de um banco de dados de resíduos, facilitando a reutilização ou reciclagem destes, pelo parque industrial brasileiro.

A principal idéia é  a de que os resíduos de uma empresa muito provavelmente são a matéria prima de outra.), que não existe na prática, contanto programada na legislação vigente. Por enquanto não é possível administrar uma bolsa de resíduos orgânicos. A brilhante mente humana encontrou uma solução direta e preguiçosa, que foi destinar os excrementos sólidos e líquidos para um corpo hídrico receptor mais próximo. Quanto aos gases, nada se podia fazer, a não ser excretá-los fora das cavernas. Esse modelo ancestral de destinação final da urina, fezes e dos flatos, é exatamente igual até os nossos dias. Ainda não há a consciência de excremento na sociedade humana e nos seus indivíduos. A única imagem recorrente adotada pela consciência média é afastar-se dos resíduos, sendo por lançamento em corpos d`água, ou por enterramento em locais seguramente distantes de si. A plena consciência de que seus resíduos não podem incomodar outros indivíduos é o objeto a ser alcançado primordialmente nos Projetos de Educação Ambiental.

Aqui nesta terra carioca, não se trata adequadamente os resíduos produzidos pela vida, já há alguns anos, escondem-se resíduos (Tratar adequadamente é inertizar por completo a matéria. Fazer com que os resíduos não interajam com nenhuma outra matéria) debaixo dos tapetes, e que tapetão! O oceano atlântico tem sido a destinação de resíduos orgânicos in natura. Varre-se o indesejável com as marés e correntes marinhas, mas não se tem a almejada distância segura, o excremento  volta, nem que seja processado por um belo robalete. Comemos e bebemos excrementos. Aliás, você carioca, sabe de onde vem a  maior parte da água que consome ? Do Rio Paraíba do Sul, tapete que esconde o indesejável de milhões de homos sapiens. Você pensa que não bebe água da Companhia de Águas? Você toma banho? Você escova os dentes? Esse assunto fica para próxima. Ao telegrafar matinalmente (?), calmamente sentado em seu aconchegante trono, lembre-se aonde vão os seus cheirosos troços.

Carlos Castro

Ambientalista e advogado. Residente no Sul Fluminense - Quatis-RJ, consumidor da água do Rio Paraíba do Sul que é manancial de 17 milhões de pessoas e recebe carga orgânica e industrial, sem tratamento de centenas de municípios e indústrias em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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